Um em cada 22 registros de tecnologia em controle de tráfego são brasileiros

Desenvolvimento de tecnologia contribui com a meta da OMS de reduzir em 50% o total de mortes e lesões no trânsito nos próximos 10 anos

Um em cada 22 depósitos de patente existentes no mundo – voltados a sistemas de controle do tráfego de veículos rodoviários – são de propriedade intelectual de fabricante brasileira de tecnologia em mobilidade.
 

Para que se tenha ideia, dos 115 registros de patente mundiais – voltados à propriedade intelectual, na categoria G08G — 1/00, e que trata exclusivamente de sistemas de controle do tráfego de veículos rodoviários, 34 deles ou cerca de 29,5% foram solicitados pela empresa de soluções em mobilidade brasileira Velsis, situada em Curitiba, no Paraná.

Os dados referentes às patentes no setor de mobilidade urbana no Brasil integram o estudo “Controle de Tráfego em Cidades Inteligentes: um panorama dos depósitos de patente no Brasil e no Mundo”, produzido e publicado pela Coordenação Geral de Estudos, Projetos e Disseminação da Informação Tecnológica do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
 

estudo encontrou 1.440 documentos, que correspondem ao controle de tráfego urbano terrestre, em 10 categorias de diferentes modalidades. Destas, quatro são mais abrangentes em tráfego de veículos rodoviários e apenas uma específica.

“Os dados demonstram que o Brasil está avançando cada vez mais no desenvolvimento de sistemas de mobilidade urbana, contribuindo com o crescimento das cidades e com a redução de mortes no trânsito”, explica o especialista em mobilidade, Guilherme Araújo.

O estudo tem como objetivo acompanhar o desenvolvimento tecnológico relativo às Cidades Inteligentes, particularmente ao Controle de Tráfego, no Brasil e no mundo.
 

“Com a crescente concentração populacional nos centros urbanos nas últimas décadas, houve um crescimento do número de veículos circulando, o que provocou diversos problemas relacionados à mobilidade. Dentre eles, a velocidade média dos veículos de outros impactos negativos como a maior incidência de óbitos”, informa o documento. Segundo o Instituto das Cidades Inteligentes (ICI), as cidades inteligentes são aquelas que investem em capital humano e social e utilizam a Tecnologia da Informação (TIC) para melhorar a sua gestão e propiciar aos seus cidadãos uma melhor qualidade de vida. Este Instituto destaca as cinco características primordiais de uma cidade inteligente: população, governo, sustentabilidade, mobilidade e qualidade de vida.

Brasil contribui para alcançar meta da ONU

Ao todo, a Velsis é responsável por 34 depósitos de patentes, sendo oito no Brasil e 26 em países como China, Estados Unidos, Peru, México, Europa, Colômbia, Canadá e Costa Rica.

Os investimentos em tecnologia para controle de tráfego contribuem para que o Brasil, bem como outros países, avancem para alcançar a meta da Organização Mundial da Saúde (ONS), que prevê a redução em 50% no número de mortes e lesões ocasionadas no trânsito até 2031. Segundo o documento – que é uma das iniciativas da ‘Década de Ação para a Segurança no Trânsito”,- os acidentes são responsáveis por 1.3 milhão de óbitos evitáveis e 50 milhões de machucados.

Um bom exemplo é a capital baiana. Salvador, com o uso de tecnologia de monitoramento, conseguiu reduzir em 50% o número de mortes no trânsito nos últimos dez anos, saindo de 260 mortes ao ano para 130 mortes por ano.

 

Tecnologia Nacional

Entre as tecnologias patenteadas pela Velsis estão equipamentos eletrônicos de fiscalização de infração de trânsito com sensores intrusivos do tipo laço indutivo e sensores de pesagem de alta precisão, instalados no pavimento. “Instalado em vias de grande fluxo de caminhões, o WIM, por exemplo, registra todos os veículos e captura imagem, permitindo a perfeita identificação quanto à marca, modelo, placa, local, data e horário da infração e adicionalmente pode gerar um vídeo, tornando o registro ainda mais incontestável”, explica Guilherme Araújo, diretor presidente da Velsis.

Ele explica que as patentes são elementos-chave para medir o avanço das tecnologias nos países e, talvez, o que é mais importante, o impacto delas no desenvolvimento. “As patentes garantem a propriedade intelectual e o uso exclusivo dos sistemas desenvolvidos, mas também, refletem o dinamismo da produção de conhecimento e avanços tecnológicos que têm um impacto positivo nas sociedades”, completa Guilherme.
 

Por outro lado, a disponibilidade e a facilidade de acesso a informações sobre patentes, bem como a atualização periódica dos bancos de dados pelos escritórios de propriedade intelectual, permitem um monitoramento constante da inovação tecnológica, expondo produtos e tecnologia aos mercados de interesse.
 

“A patente é uma etapa importantíssima na implantação dos projetos tecnológicos inovadores, pois torna pública informações como, por exemplo, quem é o inventor, quem é o depositante e tudo ao que se refere às tecnologias necessárias para uma avaliação do INPI das premissas de Novidade, Atividade Inventiva e Aplicação Industrial, assim como deve revelar como um técnico na área de aplicação pode vir a reproduzi-la”, explica Eduardo Pereira da Silva, CEO da Pereira Bertozzi Propriedade Intelectual, escritório que atua na área há mais de 35 anos.

Atualmente, no Brasil leva-se em torno de quatro anos para se obter uma patente, enquanto nos Estados Unidos o tempo de espera é de um ano e meio. “Neste período avalia-se a tecnologia, o potencial de vendas e o quanto vale este bem intangível que está na inteligência do que foi produzido”, reforça.

Por outro lado, a disponibilidade e a facilidade de acesso a informações sobre patentes, bem como a atualização periódica dos bancos de dados pelos escritórios de propriedade intelectual com atividade inventiva, permitem um monitoramento constante da inovação tecnológica, expondo produtos e tecnologia aos mercados de interesse.

“O registro de patente é como uma certidão de nascimento da tecnologia que contém dados do inventor, do detentor dos direitos econômicos e da tecnologia”, explica Eduardo Pereira da Silva, CEO, da Pereira & Bertozzi, escritório de propriedade intelectual que atua na área há mais de 35 anos.

A vigência das patentes é de 15 ou 20 anos, dependendo da data do depósito ou do tipo de patente. Eduardo, destaca ainda, que as tecnologias objetos de patente, ao serem publicadas, permitem ao público conhecê-las, forçando aos concorrentes buscarem soluções melhores, aumentando o nível de desenvolvimento técnico do país. “Nesse aspecto, no Brasil a Velsis tem sido a pioneira e tem inventado e desenvolvido tecnologias de alto nível mundial”, finaliza.